Um atleta manezinho caminhou 605 metros no ar sobre a Baía Norte e colocou Floripa no mapa do highline mundial 🪢🌊
No dia 16 de maio, uma fita de 2,5 centímetros de largura foi esticada entre um prédio na Ilha e a torre sul da Ponte Hercílio Luz, a 85 metros de altura. Rafael Bridi saiu de um lado e, 28 minutos depois, chegou do outro. 605 metros. Novo recorde de maior highline urbano das Américas. O público assistiu da orla, de cima das pontes, de qualquer ponto com vista pra Baía Norte. Por um momento, a cidade inteira olhou pra cima.
A travessia fez parte da programação oficial dos cem anos da Ponte Hercílio Luz, comemorados no dia 13 de maio. A escolha do cenário não foi aleatória: Bridi já havia feito uma travessia histórica na mesma ponte em 2020, durante a reinauguração da estrutura após décadas fechada para restauração. Seis anos depois, o recorde voltou pra casa. E a ponte — que já tinha cem anos de história acumulados — ganhou mais um capítulo que vai demorar pra ser superado.
Bridi é florianopolitano e acumula três recordes no Guinness. A marca anterior de highline urbano nas Américas era dele também — 515 metros no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em 2023. Dessa vez, o recorde foi em casa, e ele disse depois que fez diferença: “Quando eu olhava pra frente, via o desafio. Quando olhava ao redor, via a minha história.” Não é o tipo de coisa que você fala sem sentimento.
O highline é a versão extrema do slackline — aquele esporte que você provavelmente já viu sendo praticado em parque, com uma fita esticada entre duas árvores a pouca altura do chão. A versão básica não exige equipamento caro nem condicionamento físico específico. Você precisa de equilíbrio, de concentração e de disposição pra cair bastante no começo. O que o esporte treina não é músculo isolado — é leitura corporal, foco e a capacidade de corrigir antes de perceber que errou. É daquelas práticas que parecem simples até você colocar o pé na fita pela primeira vez.
Floripa tem uma cena de slackline ativa, com grupos que se reúnem em parques da cidade regularmente e são receptivos a iniciantes. Durante o dia, o Parque da Luz, bem na cabeceira da Ponte Hercílio Luz, é um dos pontos. Coincidência ou não, o mesmo lugar onde o recorde foi celebrado. Traz um tapete, um par de tênis que prenda bem o calcanhar, e paciência pra primeiras vezes. A vista já vem inclusa.
O recorde de Bridi ainda aguarda validação oficial pela Associação Internacional de Slackline. Mas quem estava lá no dia 16 não precisa de papel pra saber o que aconteceu. Floripa teve um momento que vai aparecer em livro de esporte daqui a uns anos — e a ponte foi o cenário, de novo, cem anos depois de tudo começar.
Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção do conteúdo não teve custo e sua veiculação custou R$ 5.000,00.


